terça-feira, 5 de abril de 2016

#10




Cena aleatória de um projeto que nem começou


    Ele acorda com a luz proveniente da janela ofuscando seus olhos, fecha os olhos e cochila por mais cinco minutos. Acorda de novo, a mesma luz iluminando o quarto; vira-se para a esquerda e não a vê ali do outro lado da cama. Espreguiça-se um pouco, afasta os cobertores preguiçosamente e coloca os pés no chão, tentando equilibrar-se. Usa o banheiro e retorna ao quarto, passando pelo corredor e indo procurar algo que lhe sirva de café da manhã. Chega na cozinha, ergue a cabeça e a vê encostada na pia, vestindo a camiseta que ele emprestou para ela usar durante a noite, que ficava grande e a deixava tão linda como se ela estivesse arrumada para uma festa; ela estava fazendo chá. Ele se aproxima dela. abraça-a por trás, beija seu ombro e deseja um bom dia. Ela se vira, abraça ele e diz que o café está pronto. Eles pegam os pratos, levam até a mesa, sentam frente a frente e comem, conversando sobre como foi a noite e como o tempo passa rápido quando estão juntos. "Eu espero que isso seja para sempre", diz ela. "Depende só de nós", respondeu ele. 
    Eles voltam para o quarto. Ele se senta numa cadeira, pega um cigarro do maço sobre a mesa e acende com um isqueiro que estava na gaveta. Ela caminha descalça pelo quarto, procurando uma HQ que goste para que, como em todas as manhãs que passavam juntos, jogarem um pouco de conversa fora. Ela acha um envelope, abre-o, pega o papel que ele contém, não lê. Ele faz uma expressão de surpresa, o coração acelera. "Eu espero que não tenha que esconder isso para sempre", pensa ele. Ela sorri, achando que o conteúdo do envelope era para ela; abre o papel cuidadosamente e quase imediatamente uma lágrima cai do seu olho esquerdo. Ele tenta explicar. Ela não quer ouvir. Ele pede desculpas. Ela tira a camisa que é dele e veste as próprias roupas. Ele pede para que ela não vá embora. Ela vai embora. Ele chora. "Dependia só de nós", ela disse. E ela não voltou mais.

















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