quinta-feira, 24 de março de 2016

#04







 Existia uma lista de insignificantes coisas que eu deveria fazer.
 Talvez devesse eu esperar até que tal folha encontre o chão, mas terei perdido meu tempo.
 Dei meia volta e olhei para o começo do lago. Você pode ver que as folhas voam diferente desse lado?
 Se antes o ar fazia de chão para elas, agora atravessam o solo e retornam para onde estavam. Quem saberia explicar porque as pedras caminham entre nós e o nada é tão cheio?
 Enxergara uma porta, mas o tempo passou e as dobradiças viraram pedras. Se eu ousasse abrir ela o que vem e vai não terá mais obstáculos.
 A solidão que me fizera outrora lamentar agora ressoa em tom de liberdade, mas algo deixa um espaço vago.
 É possível escapar dele?
 Aquela fera alta que caminha por entre as folhas do chão. Consegue ouvi-lo gritar?
 O mar que me cerca agora não tem dimensões. Quem sabe ate onde vai?
 Se a Lua possui este tamanho ou estou eu encolhendo novamente?
 Seria incrível se a loucura que me doma fosse o que sou, e o pouco que me resta fosse o que tenta me domar.
 Admirável aquele que avista acima das montanhas a leste, entre tais arvores só caminha o vento.  Entre tal vento respira os que enxergam.


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