quarta-feira, 3 de agosto de 2016

#15





VOU NAVEGAR E CAIR NA BEIRA DO MUNDO


  Um breve relato de uma longa vida.

  Ele havia decidido mudar o rumo de sua vida quando tinha apenas 10 anos de idade. Vira seu pai sumir na imensidão do mar e ansiava encontrá-lo e contar como passara todo esse tempo longe dele. Tudo que tivera de aprender sozinho e o mundo ao lado de sua casa que havia explorado. Seu pai escutaria tudo e se orgulharia dele.
  
E assim fez.

  Completou vinte anos e decidiu começar a construir seu pequeno barco. Tinha em mente apenas um pedaço grande de madeira com uma vela de pano. Conforme ia construindo, vários de seus amigos o visitavam e levavam como presente algo para seu barco. Todavia ele não os usava, os vendia. E com o que era vendido comprava presentes para dar em troca. E assim foi até o dia em que o questionaram. Respondera apenas que só precisava de alguém lembrando de que estava construindo um barco.
  
E assim terminou.

  Seu barco estava pronto. E ficou do jeito que deveria ficar.
  Na manhã seguinte pegou suas coisas e foi na mesma direção de seu pai. Enquanto caminhava ao redor de seu barco, passou a lembrar de tudo que ele e seu pai viveram. Dos dias em que ficou até tarde ouvindo histórias sobre o mar, como acordavam antes do sol para irem pescar ou até da vez em que a maré estava tão alta que quase tiveram de se mudar.
  Olhou para cima, aquela seria a última que olharia para o céu que existia em cima de sua casa. O sol estava escondido entre nuvens que não eram ameaçadoras.

  Juntou as cordas que sobraram, algumas ferramentas e o resto do pano que não virou vela. Caminhou com tudo que carregava e entrou em sua casa, olhou para o teto e respirou fundo. Guardou tudo embaixo de sua cama e saiu de casa, pensou por um momento que gostaria de enterrar sua casa com a areia que pisou durante todos esses anos, caminhou até a beira do mar. Era o mar que amava, era o mar que precisava. Deu adeus ao pássaro colorido que morava perto dele.
  Sentou ali mesmo e começou a conversar com o vento. Como estaria muito tempo sozinho teria de se conversar com o que não falava. Ouvia histórias de cidades no meio do oceano, de baleias maiores que ilhas e aves que ao voar deixavam o dia como noite, ansiava por ver tudo isso.
  
  Empurrou seu barco para o mar e subiu nele. Mal acreditava que estava prestes a começar a busca por seu pai e mesmo assim sua mente estava limpa e vazia de pensamentos. Só podia estar agradecido pela vida ser tão simples, achava que todas eram simples. Todas as pessoas que conheceu, todas elas complicavam a vida e ele desejou que elas pudessem um dia construir seus próprios barcos.
  Depois de um tempo ele foi capaz de ouvir o que o mar estava falando para ele, aprendeu coisas e ensinou coisas. Aprendeu sobre os cavalos que nadam e ensinou sobre as tartarugas que não sabiam nadar. E assim se passaram vários meses. Virou amigo das estrelas e as dava nomes, mas elas não podiam responder, estavam muito longe.

  Já estava mais longe do que se pode imaginar de casa quando viu uma cabana boiando perto dali.     Tinha acabado de acordar e ainda não tinha certeza se o que vira era ainda parte do seu sonho. Amarrou seu barco em um dos pedaços de madeira que sustentavam a cabana. Chamou por alguém, esse alguém não respondeu. Devem estar dormindo, ele pensou, ainda está muito cedo. Estava decidido a ir embora. Sentiu algumas gotas de chuva em seus ombros, viu que a tenda tinha alguns buracos. Não podia deixar que, quem quer que esteja lá dentro, se molhe. Levantou o pano que cobria a entrada e entrou na cabana. Não havia ninguém lá, então não havia motivos para conserta-la. 

  Observou algumas fotos que estavam penduradas, havia uma foto de uma ave colorida, uma foto de um barco a vela, uma foto de uma palmeira e a última estava molhada. Voltou para seu barco depois de deixar uma mensagem na cabana.

“Passaremos a eternidade caminhando sobre o mar. O vento começa a soprar do lado oposto e as ondas já não existem mais. Acho que estamos chegando na beira do mundo. Leve suas fotos com você e eu levarei as lembranças que me trouxeram para cá. ”
  
  E assim foi.



sábado, 30 de abril de 2016

#14

                                                                   


   Escrevo novamente, depois de ter prometido em minha outra carta que isso era algo que não retornaria a fazer. Em parte, diria que foi a necessidade que me fez voltar a este antigo e costumário impulso. Prefiro não pensar que a situação em que me encontro agora seja a responsável por tornar-me vítima de mim mesmo, outra vez. Tudo que estava contido em mim, tudo que estava sobre mim cai por cima do que sou.
   Não consigo avaliar se é vantajoso que eu explique onde estou agora, uma vez que eu também não sei. Apenas posso afirmar que foi algo repentino e sem preparação, foi algo que precisava ser feito. Algo que ainda preciso me certificar é se você está lendo no momento certo, talvez em breve você saiba se cometeu um erro ao abrir este envelope.
   Outra coisa que prefiro não fazer é escrever junto ao conteúdo desta carta uma data. Nunca tive boas relações com o tempo, ele nunca me pareceu voraz e vejo agora que o subestimei, durante todos esses anos o subestimei. Depois de tanto tempo sem contato com palavras vejo que perdi a capacidade de chegar ao ponto que gostaria. Mas como você já sabe, este ponto não existe. Estará claro em tudo que te trouxe até aqui, em tudo que viu, mas não posso garantir que entenda.
   Começou faz não muito pouco tempo, quando eu finalmente perdi a capacidade de pensar com coerência e meus sentidos também começarem a falhar. Não consigo lembrar se você estava comigo, mas possivelmente não deu muita importância, eu também não dei. Poderia ter sido dez anos atrás como também poderia ter sido ontem, minha memória se deteriora a cada minuto.
   Gostaria de avisar que, apesar de considerar-lhe familiar, não sei a quem escrevo. É somente uma vaga lembrança que move este lápis, espero que compreenda isso.
No estado que estou agora acredito não haver outra saída. Quem me dera poder ter o tempo de contar toda a minha história, o que me fez chegar até este ponto, mas meu tempo é curto. Existe uma ponte que agora devo atravessar e posso ficar preso no meio dela, mas anseio tanto chegar ao final dela que somente saber que encontrarei paz me tranquiliza agora. Poder dar isso a si mesmo é um tanto tranquilizador.
   Espero que esta carta já não tenha sido escrita antes. Espero que você ainda exista.
  Depois de tantos erros causados por mim temo que este será o ultimo, e depois não precisarei me preocupar com infortúnios deste gênero.
  Tenho que confessar o que lhe causei, é de meu conhecimento que não há medidas para a dor que você precisou aguentar. Mas posso lhe garantir que será a última vez que lhe causarei sofrimento.
Não há assunto pertinente nesta carta, não há algo a se tratar. Apenas me convenci que precisava de companhia enquanto espero. E qual melhor companhia do que palavras direcionadas a você?
  Apenas ficarei deitado onde estou, lembre-se de trazer girassóis da próxima vez que nos encontrarmos.
  Encontrará a paz que precisa se olhar atrás da cortina, guardarei algo para você lá. Como esta carta não está endereçada para um certo alguém, não imagino quem a lerá. Me conforto em saber que registrei estas palavras.

  Assim como o sentimento mais antigo da humanidade é o medo, e o medo mais antigo é o medo do desconhecido, encontrarei meu caminho em lugares que jamais ousei andar.

Enfim termino o que comecei.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

#13


  



  à beira do abismo



à beira do abismo
somos ar
somos a mais pequena molécula do nada

à beira do precipício
somos pedra
ignóbeis pedaços de algo, fazendo nada.

à beira do desfiladeiro somos sonho
somos coragem
somos medo
somos vergonha.
somos nós mesmos
fugindo do coração.

criando mais dor
para curar o tormento.


                                                                                                             Celso S. Júnior

sexta-feira, 15 de abril de 2016

#12




Nunca gostei de me imaginar como uma protagonista de um anime ou algo do tipo, sempre pensei que minha vida é parada como a de uma figurante qualquer. Não achava que mereço ter um roteiro intrigante, reviravoltas ou um romance e tanto como acontece em ficção, onde tudo é perfeito.
Mas no fundo eu queria ser perfeita. Ou no mínimo ter uma vida perfeita. Uma vida que não me fizesse chorar após sorrir, feita de superficialidades que me distrairiam e impediriam as lágrimas de caírem. Eu só queria ser como eles, com suas vidas sociais agitadas, suas notas sempre facilitadas, seus grupos de amigos, seus interesses... 
Se eu fosse assim, não seria eu, seria qualquer um. Tenho medo de até que ponto eu levo isso à sério. Isso que aliás, é uma desistência dos desafios que eu mesma decidi seguir, e eu já sabia que isso iria acontecer. Já sabia que iria chorar até os olhos doerem. Só não sabia, e não sei ainda, até onde eu aguento.
Minha motivação de me reerguer e tentar novamente parece estar se esvaindo a cada dia ao mesmo tempo que a vontade de viver aumenta muito nos poucos momentos felizes, o que não necessariamente significa uma neutralização destes fatores. É como se nada estivesse ponderado, como se ninguém pudesse medir as consequências, nem eu,
Cada palavra é escrita com hesitação, porque é um puta egoísmo pensar desse jeito, que o mundo gira ao redor do meu umbigo e que todo mundo me faz de trouxa, contudo não consegui evitar escrever o quanto eu estou confusa de tudo.
Devido aos outros que sempre vão embora? Devido à felicidade que eles têm que de vez em quando me entristece? Não, devido à minha própria estupidez que não descansa até que eu durma e não mantenha contato social.
A única coisa que me faz levantar da cama todos os dias e ir sobreviver é Deus, e eu espero que esta minha confiança nele dure por tempo o suficiente até eu ter certeza do que quero e souber como executar estas escolhas.
Eu não me encaixo, eu não sou o suficiente, eu não estou me esforçando, eu nem sequer mereço. Mas eu continuo aqui.

domingo, 10 de abril de 2016

#11

  






 Não preciso pensar, formular ou imaginar nada agora. Chego ao ponto que é irreconhecível quem me chamei há eras atras. Assim que tais visões insistiram em adentrar, partes do que houvera antes se dissipou. 
 Irei eu conseguir apagar o futuro também? Se tivesse perguntado neste exato momento, teria sido mais sábio ter acabado no presente. 
 Avistado por entre espaços, o que possui forma já foi uniforme. 
 Observei aquele que gradualmente come e consome e destrói.  Espalhar a sabedoria, do que adiantaria?  Ao observar a perdição avisto espelhos, não direi que tais estão perdidos, a falta de rumo me trouxe aqui. 
 Aquele momento declarei ser apto de ao menos preservar o resto de consciência que resguardo com tanto furor. O tempo que ainda tenho não é relativo, posso tocá-lo. 
 O incansável e interminável impulso de visitar o abismo. O que esperaria o final dele? Jamais visto e tocado. Teria liberdade em repouso ou uma prisão que sobe ao chão?
 Se pudesse andar iria conhecer o que me aguarda. 
Tomaria por perdida esta luta, esta guerra. Por comparar a vida a guerra, esqueci-me de que meus escudos permanecem do lado de fora.

terça-feira, 5 de abril de 2016

#10




Cena aleatória de um projeto que nem começou


    Ele acorda com a luz proveniente da janela ofuscando seus olhos, fecha os olhos e cochila por mais cinco minutos. Acorda de novo, a mesma luz iluminando o quarto; vira-se para a esquerda e não a vê ali do outro lado da cama. Espreguiça-se um pouco, afasta os cobertores preguiçosamente e coloca os pés no chão, tentando equilibrar-se. Usa o banheiro e retorna ao quarto, passando pelo corredor e indo procurar algo que lhe sirva de café da manhã. Chega na cozinha, ergue a cabeça e a vê encostada na pia, vestindo a camiseta que ele emprestou para ela usar durante a noite, que ficava grande e a deixava tão linda como se ela estivesse arrumada para uma festa; ela estava fazendo chá. Ele se aproxima dela. abraça-a por trás, beija seu ombro e deseja um bom dia. Ela se vira, abraça ele e diz que o café está pronto. Eles pegam os pratos, levam até a mesa, sentam frente a frente e comem, conversando sobre como foi a noite e como o tempo passa rápido quando estão juntos. "Eu espero que isso seja para sempre", diz ela. "Depende só de nós", respondeu ele. 
    Eles voltam para o quarto. Ele se senta numa cadeira, pega um cigarro do maço sobre a mesa e acende com um isqueiro que estava na gaveta. Ela caminha descalça pelo quarto, procurando uma HQ que goste para que, como em todas as manhãs que passavam juntos, jogarem um pouco de conversa fora. Ela acha um envelope, abre-o, pega o papel que ele contém, não lê. Ele faz uma expressão de surpresa, o coração acelera. "Eu espero que não tenha que esconder isso para sempre", pensa ele. Ela sorri, achando que o conteúdo do envelope era para ela; abre o papel cuidadosamente e quase imediatamente uma lágrima cai do seu olho esquerdo. Ele tenta explicar. Ela não quer ouvir. Ele pede desculpas. Ela tira a camisa que é dele e veste as próprias roupas. Ele pede para que ela não vá embora. Ela vai embora. Ele chora. "Dependia só de nós", ela disse. E ela não voltou mais.

















sábado, 2 de abril de 2016

#08




    Você é o o reflexo perfeito do efeito colateral que causa em mim. Você é a curva repentina que eu resolvi seguir quando estava num caminho reto. Você é um desafio, uma excentricidade tão excêntrica quanto a minha própria. O timbre da sua voz me deixa estática. Quando te abraço, sinto que seguro um mundo prestes a desmoronar. Eu vou te abraçar tão forte que seus pedaços ficarão presos, unidos enquanto eu estiver junto. Eu te quero.

terça-feira, 29 de março de 2016

#07



Se você ficar


Se você ficar aqui, eu fico também
Se você ficar ao meu lado, eu não vou embora
Se você se amar, eu te transbordarei.

Se você ficar feliz, eu fico também
Se você ficar triste, eu choro
Se você se sentir só, eu segurarei sua mão.

Se você quiser desistir
Eu te impulsionarei pra frente
Se você cair
Eu te estenderei a mão para se reerguer
Se você duvidar
Eu te indicarei o melhor caminho
Se você fizer o mesmo comigo
Eu ficarei pra sempre.

#06








O som do relógio batendo poderia me lembrar do seu coração.
O silencio da noite e o ar frio me trariam de volta para seu lado.
Os passos que eu dou seriam para sua direção.
Cada vez que eu deitasse imploraria para que fosse ao seu lado.
Faria um caminho com minhas palavras para um mundo apenas seu e meu.
Escreveria poemas para me lembrar de como era seu rosto.
Desenharia para lembrar o tom da sua voz.
Se eu contar as estrelas teria o número de vezes que direi que preciso de você.
Acreditaria que tudo que eu ouço é dito por você.
Poderia eu prever o que aconteceria se não olhasse para o lado?
O lado em que estava o que me resguarda.
Irrequieta sensação de que me espreita.
Um fim como esse não pude prever.
E agora o que me resta.
É penar.
É aguardar.




quinta-feira, 24 de março de 2016

#05




Não posso voltar atrás, muito menos avançar
Exercito a paciência
Fecho meus olhos e mergulho na incerteza de algo que é certo  
Preso naquilo que me liberta
A fé é a nossa ignescência

#04







 Existia uma lista de insignificantes coisas que eu deveria fazer.
 Talvez devesse eu esperar até que tal folha encontre o chão, mas terei perdido meu tempo.
 Dei meia volta e olhei para o começo do lago. Você pode ver que as folhas voam diferente desse lado?
 Se antes o ar fazia de chão para elas, agora atravessam o solo e retornam para onde estavam. Quem saberia explicar porque as pedras caminham entre nós e o nada é tão cheio?
 Enxergara uma porta, mas o tempo passou e as dobradiças viraram pedras. Se eu ousasse abrir ela o que vem e vai não terá mais obstáculos.
 A solidão que me fizera outrora lamentar agora ressoa em tom de liberdade, mas algo deixa um espaço vago.
 É possível escapar dele?
 Aquela fera alta que caminha por entre as folhas do chão. Consegue ouvi-lo gritar?
 O mar que me cerca agora não tem dimensões. Quem sabe ate onde vai?
 Se a Lua possui este tamanho ou estou eu encolhendo novamente?
 Seria incrível se a loucura que me doma fosse o que sou, e o pouco que me resta fosse o que tenta me domar.
 Admirável aquele que avista acima das montanhas a leste, entre tais arvores só caminha o vento.  Entre tal vento respira os que enxergam.


quarta-feira, 23 de março de 2016

#03




Esse post não é nenhum texto legal, só queria dizer que grupo de pagode também tem seus sadboys. Reparei que ao traduzir "Velocidade da Luz" do grupo revelação (que apesar da minha preferência por metal, gosto), fica bem mais deprê mesmo:


Velocidade da Luz

Eu já não sei mais
Por que vivo a sofrer
Pois eu nada fiz
Para merecer

Te dei carinho, amor
Em troca ganhei ingratidão
Não sei porquê, mas acho
Que é falta de compreensão
Você me tem como réu
O culpado e o ladrão
Por tentar ganhar seu coração

Todo mundo erra
Todo mundo erra sempre
Todo mundo vai errar
Não sei porquê, meu Deus
Sozinho eu vivo a penar
Não tenho nada a pedir
Também não tenho nada a dar
Por isso é que eu vou me mandar
Vou-me embora agora

Vou-me embora agora
Vou embora pra outro planeta
Na velocidade da luz
Ou quem sabe de um cometa
Eu vou solitário e firme
Onde a morte me aqueça
Talvez assim de uma vez
Para sempre eu lhe esqueça

Te dei carinho, amor
Em troca ganhei ingratidão
Não sei porquê, mas acho
Que é falta de compreensão
Você me tem como réu
O culpado e o ladrão
Por tentar ganhar seu coração

Todo mundo erra
Todo mundo erra sempre
Todo mundo vai errar
Não sei porquê, meu Deus
Sozinho eu vivo a penar
Não tenho nada a pedir
Também não tenho nada a dar
Por isso é que eu vou me mandar
Vou-me embora agora

Vou-me embora agora
Vou embora pra outro planeta
Na velocidade da luz
Ou quem sabe de um cometa
Eu vou solitário e firme
Onde a morte me aqueça
Talvez assim de uma vez
Para sempre... Todo mundo erra...

Todo mundo erra
Todo mundo erra sempre
Todo mundo vai errar
Não sei porquê, meu Deus
Sozinho eu vivo a penar
Não tenho nada a pedir
Também não tenho nada a dar
Por isso é que eu vou me mandar
Por isso é que eu vou me mandar
Por isso é que eu vou me mandar...


Speed of Light

I don't know anymore
The reason I suffer
Because I did nothing
To deserve this

I gave you caress, love
In back, gained ingratitude
Don't know why, but I think
It's a misunderstanding
You have me as your accused
The guilty and the thief
By trying to have your heart

Everyone commits mistakes
Always, everyone commits mistakes
Everyone will commit a mistake
I don't know thy, my God
I live suffering alone
I have nothing to beg
Nor anything to give
That's why i'm going away
I will leave it now

I will leave it now
Going for another planet
In the speed of light
Or maybe of a comet
I'm going lonely and steady
Where death will keep me warm
Maybe this way
I'll forget you forever

I gave you caress, love
In back, gained ingratitude
Don't know why, but I think
It's a misunderstanding
You have me as your accused
The guilty and the thief
By trying to have your heart

Everyone commits mistakes
Always, everyone commits mistakes
Everyone will commit a mistake
I don't know thy, my God
I live suffering alone
I have nothing to beg
Nor anything to give
That's why i'm going away
I will leave it now

I will leave it now
Going for another planet
In the speed of light
Or maybe of a comet
I'm going lonely and steady
Where death will keep me warm
Maybe this way
I'll forget you forever

Everyone commits mistakes
Always, everyone commits mistakes
Everyone will commit a mistake
I don't know thy, my God
I live suffering alone
I have nothing to beg
Nor anything to give
That's why i'm going away
That's why i'm going away
That's why i'm going away...


Não tenho idéia de porquê eu fiz isso, mas se tiver algum erro nessa tradução tosca feita por mim, avisem; caso contrário, enjoy.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

#02

Chuva de Verão





Chuva de Verão, texto escrito por Passenger, originalmente postado no Nyah! Fanfiction.

Sinopse: One-shot que narra um ponto de vista um pouco mais dramático sobre as chuvas dessa época do ano, que tem a característica de serem rápidas, fortes e algumas vezes, devastadoras. 


"Abra para mim, deixe-me entrar
Seu amado está à luz da lua
Esta noite está tão fria
Então abra pra mim
Porque amanhã será tarde demais"
Diese Kalte Nacht

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   Saio da escola, caminhando em direção à minha casa. O fenômeno das Ilhas de Calor se mostra muito intenso e não me conformo que uma cidade extremamente fria no inverno também é proporcionalmente quente no verão. Nas ruas, o clima é estressante; afinal, por que pegar um ônibus lotado, cheio de gente para voltar para casa quando cada um pode ir no seu carro com ar condicionado? Trânsito complicado e a montoeira de carros aumentando a poluição.
   Mas, mesmo assim, ando com a cabeça erguida. Não sorrio o tempo todo, pois assim iria parecer maluca. O suor escorre em minha testa, porém a animação de estar a apenas uma quadra de casa é maior que o cansaço.
   Quando finalmente atravesso o portão, me jogo na porta do prédio e enfio a chave com dificuldade. Cumprimento a todos em casa e vou depressa para o quarto arrancar a roupa e os sapatos para colocar algo mais fresco. Às vezes me passa pela cabeça a ideia de todo mundo poder sair pelado na rua.
   
   18h56. Não passou meia hora desde que cheguei em casa, mas apesar do horário, vejo na janela que já é de noite. Não, algo está errado, não é noite, são nuvens. Nuvens negras cobriam toda a extensão do céu que eu conseguia enxergar da janela do meu quarto. Logo depois, caem os primeiros pingos grossos de água no chão. Ouço o barulho do trovão e começo a tomar minha providência para o que vem a seguir: tiro alguns casacos do guarda-roupa, coloco um acolchoado ali dentro e pego um livro. Assim que escuto o som de muitos pingos na janela, entro no guarda-roupa e ali permaneço por uns quinze minutos; minha curiosidade me faz levantar dali e ir até a janela ver como está.
   Tenho então uma surpresa. Vejo o vento levando galhos e muita sujeira para os lados. A rua, ainda com carros parados no sinaleiro, alagada. Na marquise do outro lado, pessoas paradas, falando no celular. Agora que voltei minha atenção para isso, percebo os raios e os trovões. Ouço um de casa dizer "você tem sorte por ter voltado bem antes da chuva".
   Sorte? O que está acontecendo do lado de fora não é nem metade do que deve estar acontecendo na cidade e eu tenho sorte por estar vendo isso diante dos meus olhos? Na TV ligada da sala, escuto notícias sobre destelhamentos, árvores caindo, caos no trânsito, etc. Deito-me na cama, olho para a chuva e começo a pensar se realmente tenho essa sorte toda. Eu cheguei, vi o que estava acontecendo e virei as costas, nem sequer agradeci à Deus por conseguir chegar com segurança em casa. Mas o que mais eu poderia fazer? Todos esses pensamentos vãos me deram sono e eu acabei cochilando.
   
   Quando acordei, uma hora e meia mais tarde, fui na geladeira procurar algo para comer, e quando olhei rapidamente pela janela da cozinha, tive que voltar e olhar de novo. Na porta do prédio, tinha algo que me chamou a atenção. Desci com a chave e uma toalha velha. Abri a porta, enrolei-o com a toalha e levei-o nos braços até lá em cima. Perguntei para os familiares:
   
   – Podemos cuidar deste cachorrinho que estava lá fora?

   
   Mesmo sem autorização total, dei comida, água e um banho. Arrumei um local temporário pra ele ficar. Quando jantávamos na sala, olhamos para a janela e vimos que a chuva não parou, embora agora não esteja tão intensa. Depois de algumas discussões sobre o cachorro, tivemos pena de cuidar dele para depois colocá-lo na rua de novo, então todos aceitaram ficar com ele. Demos um nome para ele, Teddy.
   Fiz todos os meus afazeres e quando notei, já passava das dez da noite. Quando estou pegando no sono, quase dormindo, me assusto com um trovão alto de estremecer as paredes que sussurra no meu ouvido "boa noite". Agarro uma almofada e depois de me acalmar, consigo dormir.
   A manhã cinza me saúda, junto com um vento gelado. Enquanto caminho em direção à escola, vejo a paisagem meio triste que a chuva deixou de lembrança, mas dou um sorriso ao lembrar de quando abri a porta.
   Uma tempestade de meia hora poderia ser muito menos devastadora se cada um abrisse a porta para quem precisa entrar, pois prevenir um acidente é muito mais fácil que remediá-lo depois; como poderia eu, com condições até de ajudar alguém, reclamar da chuva de verão? E a minha suposta sorte? Eu diria que são bênçãos. Quando eu começar a agradecer pelo que tenho, poderei enxergar a chuva de verão como uma garoa de outono? Talvez as pessoas possam perceber isso se abrirem suas portas também.

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Notas: estória fictícia criada por mim, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.